Poluição na baia de Guanabara

Baia de Guanabara

Poluição significa perdas econômicas, perdas em termos de saúde pública e perdas ambientais. A poluição da Baía de Guanabara ocasionou 52 praias impróprias ao banho. Isso tem limitado, principalmente à população mais pobre, a ter acesso à única área de lazer gratuita: as praias, símbolo do Rio de Janeiro.  

A conhecida relação entre poluição e a falta de saneamento gera as doenças de veiculação hídrica, que são aquelas contraídas através da água poluída. Elas têm causado grandes prejuízos financeiros porque a população pobre e doente acaba sobrecarregando os postos de saúde e os hospitais. Ao fazer a conta dos custos da poluição, é mais barato prevenir, fazendo os investimentos necessários no saneamento básico e no tratamento do esgoto, do que remediar. Segundo o ambientalista Sérgio Ricardo, grande parte das doenças que existem nas comunidades, motivo de atendimentos nos postos de saúde, tem relação com as péssimas condições ambientais que essa população vive. Diarréia, hepatite, doenças gástricas... são algumas dessas doenças que afetam principalmente as crianças e as mulheres.

Causas da degradação ambiental

Aterros e assoreamento

Alguns trechos de suas margens foram aterrados para a construção de cais e de vias públicas, como o Aterro do Flamengo, a Avenida Brasil, a Linha Vermelha, a Rodovia Niterói-Manilha, entre outros.

Destruição de manguezais

Dos 260km² originalmente cobertos por manguezais no entorno da baía, restam hoje apenas 82 km². A destruição desta formação vegetal causa a redução da capacidade de reprodução de diversas espécies de vida aquática e intensifica o processo de assoreamento que, ao longo do tempo, resulta na progressiva redução de profundidade da Baía.

Poluição industrial

Cerca de 400 indústrias, do total de 14.000, são responsáveis pelo lançamento de quantidades expressivas de poluentes na Baía de Guanabara e nos rios da sua bacia. A maior dessas indústrias, a Refinaria Duque de Caxias (REDUC), da Petrobras, contribui com elevada carga de derivados de petróleo e metais pesados.

Uma estimativa da carga diária de poluentes despejada na baía, considera:
400 toneladas de esgoto doméstico
64 toneladas de lixo orgânico industrial
7 toneladas de óleo
300 quilos de metais pesados

Acidentes ambientais

Somam-se, ainda, os acidentes ambientais como vazamentos de óleo, que ocorrem com certa freqüência nas refinarias, portos comerciais, estaleiros e postos de combustíveis. Como exemplo, ocorreu em janeiro de 2000 um vazamento de 1,3 milhão de litros de óleo na Baía de Guanabara, causando grandes danos aos manguezais, praias e à população de pescadores, ou em março de 2006, diante de uma mortandade de peixes e óleo invadindo a praia de Ramos, os moradores da região acusando o Aeroporto Internacional Antonio Carlos Jobim por lavar os aviões e deixar óleo escoar para as águas da baía.
O que deveria ser feito

Um programa para despoluir a Baía de Guanabara, que tem como meta melhorar a qualidade de vida, necessariamente deveria ter uma ação integrada com fiscalização, aparelhamento dos órgãos ambientais, educação ambiental em volta dessas unidades de conservação, mas infelizmente, não houve dinheiro para isso. O programa ficou limitado a grandes obras de saneamento, esquemas de empreiteiras e uma imensa roubalheira,  onde Ninguém foi preso. 90 mil documentos oficiais foram remetidos ao Ministério Público, que abriu 15 inquéritos. A CPI indicou que os executores do programa deveriam ser processados (oito pessoas), mas aliviou todos os secretários (que eram deputados ou vieram a ser). Então pegaram os engenheiros. Mesmo assim, o relatório foi bastante minimizado, negociado na assembléia. Isso pega todos os governos, desde o Marcelo Alencar até aqui. Esperamos que o Ministério Público de fato conclua o processo. E, principalmente, o dinheiro público precisa ser devolvido, eu não vejo um centavo voltar para os cofres públicos.

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